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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Então eu li Drácula (de novo)

Juro por tudo no mundo que existe uma parte de mim que quer fazer uma resenha de Drácula, e a outra quer simplesmente fingir que isso não aconteceu. Então eu resolvi escrever isso em vez de fazer uma resenha e colocar a tag do Alphabethlon e tá tudo bem.

Eu não lembro exatamente o motivo pelo qual Drácula foi escolhido como a letra D do desafio, então eu tive que ler assim mesmo, a passo de tartaruga, me obrigando a ler um mínimo de páginas por dia para que acabasse logo.

Drácula é um romance epistolar (agradeço à Wikipedia por enriquecer o meu vocabulário), ou seja, ele foi escrito na forma de cartas, diários, notícias e etc. Foi escrito por Bram Stoker e é considerado o romance vampiresco mais importante da história depois de Crepúsculo, mudando profundamente como os vampiros passariam a ser retratados desde então. 

Drácula gatinho -n
É lógico que Bram Stoker não inventou a lenda do Drácula, muito menos a lenda dos vampiros, que existe sabe-se lá desde quando e existe uma versão diferente em cada canto do mundo. O dito Conde Drácula foi inspirado num conde romeno chamado Vlad Tepes, que ficou conhecido por causa da sua "sede de sangue" e por empalar os seus inimigos, ele era tão cruel que começou a ser chamado de Drácula, que na língua local significa "Filho do Diabo". 

A história do livro começa quando o advogado novato Jonathan Harker é mandado pra Romênia para visitar um cliente e discutir com ele a compra de uma casa na Inglaterra. E no meio do caminho, o personagem começa a perceber vários costumes estranhos do povo do leste europeu, e que o conde, seu cliente, possui hábitos muito esquisitos, até que finalmente chega à conclusão de que ele é alguma criatura vinda do Inferno.

Depois de de passar semanas preso no castelo, ele consegue escapar, quase morrendo no processo. Paralelamente, em Londres, coisas estranhas começam a acontecer, como um naufrágio de um navio o Costa Concordia, um cruzeiro de luxo sem explicação aparente e o comportamento macabro e suspeito de um paciente de um manicômio, entre outras coisas.

Depois de um monte de acontecimentos, todos descobrem que Drácula quer tocar o terror na Inglaterra, e pra começar, usa a amiga da noiva de Jonathan como sua primeira serva e depois a própria noiva de Jonathan, Mina. A partir daí, Jonathan, os três candidatos a marido da amiga de Mina e o dr. Van Helsing vão fazer de tudo para trazer as duas de volta e acabar com o Conde Drácula.

Sirius Black Drácula mais novinho
E Drácula vai pro rol de livros que na primeira vez que eu li eu gostei, mas agora não quero ver nem pintado de ouro. Acho que o meu problema maior é que a história é muito parada e os personagens não contribuem muito com tudo, principalmente a Lucy, que é a menina mais porre e chata do mundo, seguida de perto pelos seus três quem-sabe-futuros-noivos dela, que tratam ela como se fosse uma santa ou coisa do tipo.

Acho engraçado também como os Twilight haters falam que os vampiros da Anne Rice e Drácula são vampiros de verdade, machos e tudo mais, sendo que os vampiros da Anne Rice, pelo menos uma parte deles, são literalmente gays e Drácula é um chato. Não que eu esperasse que ele fosse dotado de sentimentos ou coisa do tipo, mas no livro ele é só um velho que é mau ao extremo e só. Nesse ponto, eu gosto mais do Drácula da adaptação pra cinema do Coppola, que é mais humano, que justifica uma parte das suas ações porque ama alguém.

Olha só, não estou falando que sou team Edward porque ele é um vampiro romântico, só digo que não sou tão fã assim dos vampiros que só possum instinto animal, porque na minha cabeça eles são muito mais inteligentes que humanos, por causa da experiência acumulada etc, e também acredito que eles não sejam 100% malignos e sedentos de sangue. Só acho que a destruição e o terror que eles representam sejam gerados pelas atitudes que eles tomam acreditando no que eles acham que é melhor/mais vantajoso para eles, mesma coisa que os seres humanos saem fazendo por aí.

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Depois desse meu discursinho e da minha chateação, vou voltar a ler minha trilogia de Jogos Vorazes, que eu acabei o primeiro livro, mas vou terminar de ler tudo para fazer resenha. E que venha Emma!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fansubber, Scanlators, Editoras e Dublagem.

Oi, faz tempo. Eu sei, adoro deixar este blog cheio de teias de aranha e sair limpando depois. Ok.

Hoje eu resolvi fazer um post um pouco diferente do que eu faço. Nada das minhas resenhas. É.

Enfim, a história é a seguinte: desde 2007 eu colaboro com um scanlator, em 2009 eu colaborei um tempo com um fansubber e em 2010 eu comecei a trabalhar na NewPOP editora. Nesses três lugares eu atuei como tradutora de japonês-português e blá blá blá. Hoej eu resolvi falar sobre o título do post, mas já vou avisando que não é nada muito profundo, sem uma pesquisa prévia muito profunda. Basicamente, vou falar do que eu sei com base na minha experiência, e como fã de séries japonesas.

Primeiro, vou explicar o que é fansubber e scanlator, caso você não saiba. Fansubber é um grupo formado por fãs que (na sua maioria) não visa o lucro e traduz séries, animes e filmes de uma língua pra outra e libera esses trabalhos na internet. Os scanlators fazem a mesma coisa, só que com mangás, na maior parte das vezes, e com comics, de vez em quando.

Aí que tá, esses grupos fazem um trabalho gratuito e disponibilizam para que qualquer um faça o download de graça. Isso é ótimo.
Na verdade não, porque eles acabam infringindo as leis de direitos autorais e a pessoa que fez o filme/série/anime/mangá deixa de receber o dinheiro que lhes é devido pelo seu trabalho e etc, etc, etc...
Mas por outro lado é bom porque nem todos têm grana pra importar os volumes lá de fora, que podem comprar DVDs e tal.
Por isso, os fansubbers (de anime) e scanlators dizem fazer um trabalho de divulgação, ou seja, eles disponibilizam o material de graça na internet só pra que todos conheçam a obra X, e quando ela for licenciada no Brasil, ela (teoricamente) seria retirada e todos deveriam comprar os mangás e DVDs originais, mas todo mundo sabe que se der uma andada pelo bairro da Liberdade, em São Paulo, ou em galerias e lojas especializadas, você vai encontrar DVDs de Naruto e Bleach que têm material oficial à venda aqui no Brasil, só que por um preço maior do que os DVDs piratas. E também tem um certo scanlator brasileiro (outros também) que continua traduzindo e editando mangás licenciados no Brasil e recentemente pegou Rockin' Heaven da Panini, escaneou e deixou disponível pra download.

Ok.

Aí você fala: "Mas o trabalho das editoras é porco e a dublagem no Brasil é um lixo". Eu sei disso, moço(a).

Vamos começar com dublagem.
Não sei se foi o meu nível de exigência que aumentou, mas eu sinto que a dublagem nos últimos tempos decaiu demais, os novos dubladores são horríveis e mais leem o script do que atuam de fato. Mas por outro lado, temos dublagens consagradas como a primeira dublagem de Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Dragon Ball e etc...
Mas veja bem: se você não está satisfeito com as dublagens, você está no seu direito de reclamar e exigir algo melhor, mas acontece que a maioria prefere reclamar a exigir uma melhora de fato, e isso não se limita apenas à dublagem.

Tá, agora, editoras.
Bom, não sei nem por onde começar.
Tradução. Minha área, melhor.
Há alguns anos, era muito comum as editoras daqui usarem versões americanas e francesas como base pra traduzir pro português, e isso fazia com que o trabalho decaísse. Veja bem, eu não sou defensora xiita do negócio de "toda tradução deve ser feita diretamenta da língua original em que foi feita", até porque não sou mesmo. Existem línguas que têm pouquíssimos tradutores e muito menos tradutores realmente qualificados para o trabalho, então eu acho ótimo que a Trilogia Millenium, que foi escrita em sueco seja traduzida do francês por tradutores ótimos, que O Mundo de Sofia, que veio do norueguês seja traduzido do alemão e por aí vai.
Só que aí que vem o perigo: não há garantias de que a primeira tradução tenha sido de qualidade e muito menos de que a segunda também seja. E outra: muitas informações acabam sendo perdidas quando acontece a tradução de uma língua pra outra e o estilo do autor original acaba ficando diluído com o estilo do tradutor, que sim, atua como um segundo autor.

Tá, foco.
Enfim, hoje em dia, o número de editoras que usa versões de outros países diminuiu demais e só algumas ainda traduzem do inglês, a JBC é um exemplo. Na maioria, as editoras usam tradutores do japonês.
Aí que vem o maior (?) problema: tem muita gente que reclama do "manês" que a JBC usa, e que compromete o compreendimento no texto, e blá blá blá. Uma coisa: o tradutor traduz e adapta de um jeito, revisores e editores adaptam por cima e o resultado final você vê na banca. Então muitas vezes nem foi por culpa do tradutor que a versão final ficou de um tal jeito. Foi assim porque o editor/revisor quis =/
Ah, e complementando o que eu tinha dito antes, as editoras usam tradutores de japonês, mas acontece do revisor usar o material em inglês, por exemplo.

Tá, agora edição.
LIXO.
A editora com a melhor edição (ou a menos pior, talvez) é a Panini, isso porque não faz as escrotices que a JBC faz, por exemplo. E não vou puxar a sardinha pra NewPOP, eu ODEIO a fonte que ela usa nos mangás, é muito feia e incomoda na hora da leitura.
Comparado com o começo, estamos melhor agora.

Agora, eu começo a minha conclusão, ou a parte principal do texto, o motivo principal de eu ter escrito tudo aquilo lá no começo.

Enfim, é mais ou menos assim: eu não apoio o download de material já licenciado no Brasil, sim, eu faço download de mangás e animes, mas quando sai aqui no Brasil, eu procuro comprar tudo, mesmo que não seja a minha série favorita ou já saiba as falas de cor. É a minha forma de ajudar o autor.
Mas aí é que tá, sei de editores de scanlators que fazem um trabalho melhor do que de todas as editoras juntas. Vou falar disso um pouquinho mais pra frente, espera.
Acontece que assim: tradução de fansub e scanlator na maioria das vezes é feita do inglês, ou do espanhol (que muitas vezes é traduzido do inglês pro espanhol, depois traduzido pro português, olha que legal) e muitas vezes feita de um jeito MUITO porco (a da JBC acaba ganhando de dez a zero. Pois é). Porque é assim, você precisa saber muito bem a língua e a cultura da língua da qual você tá traduzindo e na maioria das vezes, o cara que traduz pra scanlator e fansub faz uma tradução totalmente literal, sem saber identificar falsos cognatos, expressões idiomáticas e por aí vai. Isso sem contar os caras que nem sabem escrever e português, e olha, isso dói muito mais do que um ser que traduz "bastard" como "bastardo".
Pensa comigo, português é a sua língua materna, como é que você espera conseguir ser um bom tradutor de uma língua pra outra sendo que você não tem nem a competência de escrever certo na sua língua.
Agora, no caso das editoras, você precisa ser bom nos dois idiomas, caso contrário, você não consegue o bendito emprego.

Ok, a conclusão de fato agora.
Eu não concordo com a pirataria desses materiais, mas concordo com uma coisa que a Sandra Monte disse: adotar os materiais de fansubbers e scanlators como forma de protesto contra o trabalho porco das editoras e das produtoras brasileiras, mas sem hipocrisia. Não diga que está fazendo download em forma de protesto, mas na verdade faz isso porque é de graça. Reclame.
Eu sei que as editoras como a JBC e a Panini não se importam com os fãs, mas alguma coisa acontece quando a caixa de mensagens deles fica cheia de reclamações e as vendas caem.
O pouco que a JBC e a Panini melhoraram não foi por nada, foi porque tinha gente gente reclamando.

Bom, é isso.
Espero que esteja mais ou menos claro o que eu quis dizer. Qualquer coisa, earea de comentários aqui em baixo =D